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Lousitânea

Rede das Aldeias do Xisto

aldeia do xisto

A Rede das Aldeias do Xisto é um projecto de desenvolvimento sustentável, de âmbito regional, liderado pela ADXTUR- Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, em parceria com 16 Municípios da Região Centro e com mais de 70 operadores privados que actuam no território, da qual a Lousitânea tem um envolvimento estratégico, tendo inclusive uma gestão participada no Projecto da Rede de Praias Fluviais.

São 24 aldeias espalhadas pelo Pinhal Interior no Centro de Portugal, sendo que destas 10 estão situadas na Serra da Lousã:

  • Góis (Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira, Pena)
  • Lousã (Candal, Casal Novo, Cerdeira, Chiqueiro, Talasnal)
  • Miranda do Corvo (Gondramaz)

Trata-se de um núcleo muito interessante. Devido à proximidade destas 10 aldeias permite excelentes condições de visitação. É um conjunto único no território. As aldeias do lado de Góis mantêm ainda uma vida rural e tradicional muito viva, sendo os seus habitantes na maioria familiares próximos, mantendo assim próximas relações. As aldeias de Lousã e Miranda são mais descaracterizadas em termos de valores tradicionais, mas tem uma população residente mais jovem que se dedica a actividades turísticas, de artesanato e produtos agro-alimentares.

O núcleo de aldeias vivas – Tradições do Xisto – um conjunto de aldeias no cimo da Serra da Lousã, no concelho de Góis, são sem dúvida o conjunto com maior potencial de visita em todo o território.
Todos os ofícios e tarefas rurais tradicionais e etnográficas são ainda possíveis de assitir in-loco, com a população local. A visitação e os programas interactivos permite que os habitantes locais se mantenham nas aldeias e atraiam novos habitantes, nomeadamente, os descendentes dos habitantes actuais.

Se as pessoas que vivem nesta aldeias forem acarinhadas, se conseguirem vender os seus produtos agrícolas biológicos de elevada qualidade, se perceberem que também ganham com o turismo, certamente teremos aldeias no futuro com mais habitantes, visto que é este o maior constrangimento destas aldeias. Actualmente as aldeias têm:

  • Aigra Nova: 5-6 habitantes
  • Aigra Velha: 3-6 habitantes
  • Comareira: 4-5 habitantes
  • Pena: 8-10 habitantes

Aigra Nova

Esta aldeia tem a maternidade das árvores, o palheiro tradicional e a Loja do Xisto, entre outros motivos de interesse.
É possível visitar a Loja do Xisto e alguns dos núcleos interpretativos que vão existir: moinho de água, núcleo dos fósseis, alminha, núcleo do folclore (Pena), forno comunitário, núcleo do Mel, eira e palheiro tradicional, Souto e caniço, Ervas tradicionais (Aigra Nova), Alambique comunitário, Lagar de vinho, Reserva de burros (Aigra Velha), Pocilga tradicional (Comareira), Capril tradicional, hortas tradicionais (todas as aldeias)
Desta aldeia vê-se o Trevim, o ponto mais alto da serra da Lousã e dos concelhos da Lousã, Góis e Castanheira de Pêra, onde se localiza o Centro Emissor da Lousã (está implantado a uma cota de 1200 metros, com uma torre de 120m metálica espiada. A torre serve de suporte às antenas de emissão de VHF (RTP1) e UHF (:2 e SIC). É também um ponto de recepção de sinais das delegações regionais dos operadores de televisão existentes na zona Centro do país).
Tem 4 habitantes nativos, embora mais alguns temporários: Manuel Claro e esposa Dª Lurdes, Diamantino e Dª Júlia. Existe lá a Associação de Melhoramentos das Aigras e Comareira, as instalações da futura sede da Lousitânea, que incluirá posto de venda de produtos locais, forno e espaço museológico.

Aigra-Velha

Consegue avistar-se a crista quartzítica dos penedos de Góis, que embora assim denominados, pertencem à serra da Lousã. Estes chamados penedos são uma crista quartzítica que segue uma direcção sudeste-nordeste do centro do país, começando na zona da Serra de S. Mamede e terminando no norte do país na Serra do Buçaco.
Vive aqui apenas uma família (André Claro), que se dedicam à agricultura e caprinicultura – vendem cabritos, queijos de cabra e mel. Continuam a praticar uma agricultura de subsistência e biológica. É uma das aldeias mais altas da Serra da Lousã, a 770 metros de altitude (os Povorais encontram-se a 850m).
A aldeia tem uma configuração defensiva. As casas de habitação tinham ligações internas entre elas, de modo a que os habitantes não tivessem que vir ao exterior, não interferindo, porém na vida privada de cada casa, passando na zona das lojas e currais. Praticamente todas as casas são térreas. Possivelmente para se protegerem do clima severo, dos animais selvagens (lobos e ursos) e das quadrilhas de salteadores, como o João Brandão, cujas histórias chegaram até nós pela boca dos mais velhos. Cada cozinha tinha um esconderijo, que ficava entra a cozinha e os currais, que servia para esconder alimentos que tinham cultivado, considerados excedentes pelos fiscais do estado novo, que vinham às aldeias do interior confiscar os seus mantimentos, como por exemplo presuntos, queijos, cereais, etc. para os escoar nos meios urbanos.
Na aldeia é possível visitar o forno e alambique (já se fez por aqui muita aguardente). Ir ver os buracos na parede que permitia comunicar com os vizinhos, mostrar as portas interiores entre casas e mostrar a casa que tinha um esconderijo para os cereais para quando vinham os fiscais do Estado Novo ou os salteadores.
Cada casa tinha uma gateira que era um buraco feito de propósito na parede que permitia aos gatos a passagem para dentro e entre as casas. Os gatos eram estimados, pois serviam para liquidar os roedores que se alimentavam de cereais e, dentro dos armários, do vestuário das pessoas.
Havia também, em cada cozinha, um caniço, que é uma estrutura colocada acima da lareira/fogão que servia para apoiar as castanhas que durante o Outono se fumavam para se conservarem durante o Inverno, alimentando-se assim delas os habitantes, dando-as também de comer aos porcos.
É uma das mais bonitas da Serra da Lousã. Beneficiou de obras de requalificação do Programa Aldeias do Xisto.

Comareira

Tem 4 habitantes mais um ou outro que vive temporariamente na aldeia. Esta diminuição é comum a todas as aldeias serranas no interior centro. Um dos moradores mais caricatos é o Ti Côdeas (sr. Alfredo). Mas também aqui vive a Dª Adelaide e duas Mª do Céu (sendo uma delas esposa do Ti Côdeas).
A ribeira que passa no vale abaixo chama-se Ribeira do Mouro. Antigamente as mulheres da Comareira escapuliam-se para lá para tomarem banho despidas, enquanto desfiavam quadras alusivas ao seu segredo.
O monte em frente tem um marco geodésico que se chama Mouro (768m). A norte da Comareira, logo abaixo existe uma pequena aldeia chamada Cerejeira, sem habitantes permanentes.
Existe na aldeia a Casa da Comareira, Casa de Campo que está a ser gerida por uma associação local a Lousitânea – Liga de Amigos da Serra da Lousã. Tem 3 quartos com casa banho privativa, sala e cozinha, aquecimento central e está muito bem decorada. Para obter chave e mostrar – Sandra Marques – 235778644 / 966423677 ou lousitanea@sapo.pt. Cada quarto duplo na Comareira ronda os 40 euros.

Pena

Na Aldeia da Pena, a maior do núcleo das quatro aldeias de Góis, poderá visitar um moinho recuperado que recebe as límpidas águas da Ribeira da Pena. Nesta aldeia e se encontrar pelas ruas habitantes poderá procurar pela Dª Giselda, uma verdadeira amante da sua aldeia que reuniu alguns objectos antigos e de uma garagem fez uma pequena mostra de utensílios antigos. Esta habitante também possui um alambique que poderá ser visitado.
Mas se o seu objectivo é pernoitar não deixa de contactar a Casa da Cerejinha ou a Casa do Neveiro (veja contactos em Alojamentos na Região).
Mas chegando à aldeia o que mais impressiona são os Penedos de Góis. Local aonde se julga que um casal de cegonhas pretas mantém o seu ninho e aonde poderão encontrar vestígios do fundo do mar…
A Ribeira da Pena proporciona também belos passeios ao longo do seu curso e o Penedo da Abelha magnificas paisagens na ascensão em escalda. (para mais informação sobre actividades desportivas contactar Trans Serrano, Lda – 235 77 89 38)