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Lousitânea

Rede Natura 2000 Serra da Lousã

Salamandra Lusitânica Chioglossa lusitanica

A serra da Lousã integra a zona de Pinhal Interior Norte (NUTIII), abrangendo os concelhos de Castanheira de Pena, Figueiró de Vinhos, Góis, Lousã e Miranda do Corvo.
Representa a extremidade Sudoeste da cordilheira central, exibindo linhas de cumeada entre os 800 e os 1200 metros, com declives acentuados (originando encostas íngremes e vales muito encaixados, por vezes quase inacessíveis) nas vertentes a Norte e suaves a Sul onde, respectivamente, se fazem sentir as influências climáticas atlântica e mediterrânica.
A serra da Lousã está incluída na região biogeográfica Mediterrânica. Classificada como Sítio da Lista Nacional, de acordo com Plano Sectorial da Rede Natura 2000, a Serra da Lousã, com uma área de 15 158ha, apresenta apreciável interesse paisagístico, com imponentes cristas quartzíticas de valor geomorfológico significativo, acompanhadas pela existência de cascalheiras (depósitos de vertente), áreas importantes para a manutenção de ecótipos de grande interesse genético.
As inúmeras linhas de água, quase todas de carácter permanente, alimentam as bacias hidrográficas dos rios Zêzere e Mondego e assumem grande importância para espécies da fauna. A vegetação ripícola encontra-se num bom estado de conservação, sendo de destacar as galerias onde se podem observar amiais (Alnus glutinosa) e comunidades dominadas por azereiro (Prunus lusitanica subsp. lusitanica), com a presença de azevinho (Ilex aquifolium), um habitat de carácter reliquial naturalmente pouco frequente.
Inclui áreas importantes para a conservação do lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e particularmente para a salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica), atendendo a que se trata de uma área de elevada diversidade genética para a espécie e de
maior vulnerabilidade.
Devido à acentuada orografia e às variantes climáticas, a vegetação existente é diversificada, com a ocorrência de azinheiras (Q. rotundifolia) nas zonas mais secas e ensolaradas e de carvalhais de carvalho-roble (Q. robur) e carvalho-negral (Q. pyrenaica) nas zonas mais húmidas e frias. Os povoamentos de castanheiros (C. sativa) outrora com grande expansão encontram-se na proximidade das habitações e são de dimensões reduzidas.
De acordo com a ocupação do território, apresenta como sistema dominante a floresta, a qual representa cerca de 51,9% de ocupação do solo, seguindo-se as áreas de matos e pastagens naturais (38,7%). De acordo com o MADRP, o uso florestal é aqui claramente dominante, com 14 077ha (93% da área do Sítio). A principal espécie florestal é o pinheiro bravo, seguida do eucalipto. O pinheiro silvestre (P. silvestrys) aparece em zonas de maior altitude (>800m). No período de 1990 - 2003 registou-se, nesta área, um incremento de incêndios florestais da ordem dos 31%.
No que respeita ao uso florestal na Serra da Lousã e, numa perspectiva de uso multifuncional, realça-se a importância crescente da caça (designadamente ao javali) – 69% da área de uso florestal está sujeita a regime de caça especial –, bem como da pesca da truta nos cursos de água serranos, a prática de desporto (desportos motorizados, desporto de aventura, percursos pedestres) e a valorização paisagística e faunística (corço, veado, milhafre). Na serra da Lousã tem grande importância a DOP “Mel da Serra da Lousã”.
As principais zonas agrícolas, que atingem no seu total cerca de 2 554ha (2% de área do Sitio) situam-se principalmente nas planícies de aluvião da freguesia da Lousã e nas várzeas ao longo dos rios Arouce, Ceira e respectivos afluentes. Os principais sistemas agrícolas são os que se encontram ligados à policultura onde dominam as arvenses, a polipecuária e os ovinos e caprinos, especialmente estes últimos. De notar que o Sítio abrange uma área importante de Vila Nova do Ceira onde se pratica a actividade viveirista.
Neste Sítio estão definidos diversos habitats naturais e seminaturais (anexo B-I do Dec. Lei n.º 49/2005):
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix e
Populus alba
4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix
4030 Charnecas secas europeias
5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis
6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino
6510 Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pratensis, Sanguisorba officinalis)
8130 Depósitos mediterrânicos ocidentais e termófilos
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
8230 Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleranthion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica
9260 Florestas de Castanea sativa
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
9330 Florestas de Quercus suber
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia

Factores de ameaça

Estão definidos como factores de ameaça neste Sítio: Incêndios florestais; florestações com eucalipto (pelo carácter monoespecífico e contínuo dos povoamentos aumentam o risco de incêndio); corte da vegetação ribeirinha (algumas das situações decorrentes de florestações em que não é respeitada uma faixa de protecção às linhas de água); invasão de espécies exóticas infestantes - háquias, ailantos e sobretudo acácias (potenciado por diversos factores, nomeadamente os incêndios florestais e a abertura de numerosos acessos na serra); implantação de infra-estruturas (parques eólicos e acessos - o aumento significativo de acessibilidades, inclusivamente em áreas de cumeada, permite o acesso a todo o tipo veículos, potenciando a pressão turística, o que tem consequências em termos de degradação de habitats, risco de incêndio e redução da tranquilidade de espécies da fauna); pressão turística; passeios e provas motorizadas todo-o-terreno; empreendimentos hidroeléctricos.

Orientações de gestão

As orientações de gestão da Serra da Lousã deverão ser prioritariamente dirigidas para a conservação e manutenção das linhas de água e das galerias que as marginam, bem como da fauna que lhes está associada. Para além dos habitats e da fauna ripícolas, interessa destacar também a importância da preservação dos habitats associados às cristas quartzíticas e às cascalheiras, bem como da manutenção do mosaico agrosilvo-pastoril em diversas áreas, de que é exemplo a área de Góis onde a meia encosta, em zonas de declive suave, se observa uma alternância entre vários tipos de formações onde se incluem prados, matos e áreas de castanheiro.
Face às ameaças identificadas, deverão ainda ser ordenadas as acessibilidades e as actividades de recreio e lazer, promovida a erradicação de espécies exóticas e assegurado o acompanhamento técnico das acções de ordenamento e gestão florestal.